Edição #01
Yuri Bianchi
O agro em movimento. A análise além da notícia.O mercado não para — e entender os números faz diferença.Nesta edição, analisamos quatro temas que ajudam a compreender o momento do agronegócio brasileiro: o comportamento das commodities, os desafios do setor sucroenergético, os riscos climáticos e os sinais da economia. Na edição especial, comparamos as propostas econômicas dos candidatos à Presidência e seus possíveis impactos sobre o Brasil e o agronegócio.Nosso objetivo é ir além da notícia: identificar o que os dados mostram, entender o contexto e levantar perguntas que ajudem a tomar decisões melhores.
1. COMMODITIES | Boi em alta, milho em queda: o que os preços revelam?
FATOO início de outubro mostrou movimentos diferentes entre duas commodities importantes para o agronegócio. Enquanto o preço do boi gordo avançou, o indicador do milho recuou na última cotação disponível até 14 de outubro.O Indicador Cepea/Esalq do boi gordo fechou em R$ 378,00 por arroba em 13/10. Já o indicador do milho encerrou o mesmo dia em R$ 65,59 por saca de 60 kg.
O QUE OS DADOS MOSTRAMA evolução dos preços mostra que as duas cadeias enfrentam condições distintas de mercado. Entre 30/09 e 13/10, o boi gordo valorizou aproximadamente 3,76%. Para o milho, a queda foi de aproximadamente 2,48% entre 05/10 e 13/10.No mercado externo, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou, em 14/10, a projeção de embarques de milho em outubro de 5,34 milhões para 6,41 milhões de toneladas. Para a soja, a projeção subiu de 6,18 milhões para 6,55 milhões de toneladas. São volumes programados para embarque, não exportações já concluídas.
CONTEXTONa pecuária, a valorização da arroba tem sido relacionada à oferta restrita de animais prontos para abate, ao custo de reposição e à retenção de fêmeas para reprodução. Ainda assim, o preço de venda não determina sozinho a rentabilidade: alimentação, frete, sanidade, rendimento de carcaça e custo de aquisição também pesam no resultado.No milho, a pressão de baixa foi associada à cautela dos compradores, à valorização do real, à queda dos preços internacionais e à expectativa de oferta ampla após a safra 2025/26.A combinação dos dois movimentos evidencia a conexão entre as cadeias. O milho pode representar receita para o produtor de grãos e custo para quem o utiliza na alimentação animal.
IMPACTO
- Para o pecuarista, uma arroba mais valorizada pode aumentar a receita bruta, mas é necessário verificar se a margem também melhorou.
- Para o produtor de milho, preços menores podem pressionar a receita de quem ainda tem estoque para vender.
- Para confinamentos e outros sistemas de produção animal, o milho mais barato pode aliviar parte do custo alimentar, dependendo da composição da dieta e dos preços dos demais ingredientes.
- Para a comercialização, a diferença entre preço de referência e preço efetivamente recebido depende da região, da qualidade, do contrato e do frete.
ANÁLISE DA EJNo mercado atual da pecuária percebemos uma valorização da arroba do boi gordo, a qual não está relacionada diretamente a rentabilidade do produtor, visto que a receita não depende somente do preço de venda, mas de fatores como custo de reposição, alimentação, sanidade, rendimento de carcaça, entre outros. Assim, observamos dois cenários, um onde o pecuarista consegue vender seu animal a um preço mais elevado sem aumentar o custo na mesma proporção, e em outro, onde pecuaristas precisam de animais para reposição, em um cenário de preço elevado. Outro cenário relevante para a análise é a queda do preço do milho, que pode implicar diretamente na redução de custo com alimentação nos confinamentos, dado que esta, na cadeia, representa o segundo maior custo, seguido da reposição. Entretanto, se outros custos subirem, a redução do preço do milho pode não ser suficiente para melhorar significativamente o resultado. Por isso, a importância de analisar a participação da alimentação no custo total da produção.Além disso, outro ponto é o aumento dos embarques de grãos, que impactam diretamente a disponibilidade dos produtos no mercado interno. Isso pode reduzir a disponibilidade imediata no mercado interno e sustentar os preços domésticos, dependendo do tamanho da safra, dos estoques, da demanda interna e preços internacionais.
O QUE ACOMPANHAR
- Próximas cotações do boi gordo e do milho.
- Exportações efetivamente realizadas, separadas das projeções de embarque.
- O primeiro levantamento da safra de grãos 2026/27 da Conab, previsto para 15/10, às 9h. Esse resultado não foi incorporado aos dados fechados em 14/10.
PARA LEVAR DAQUIPreço de venda não é sinônimo de rentabilidade. O resultado depende da relação entre receita, custo de produção, produtividade e momento da comercialização.Fontes: Cepea/Esalq, via Notícias Agrícolas; Anec, por meio de reportagem da Agência Estado/UOL; Conab.
2. ENERGIA | Açúcar: Índia, El Niño e etanol podem apertar a oferta mundial.
FATOO mercado internacional de açúcar passou a acompanhar com mais atenção os riscos de redução da oferta global. Em reportagem publicada pelo G1 em 23 de junho, a Reuters informou que a Índia, historicamente um dos principais exportadores mundiais (2ª maior produtora e exportadora), poderia ter pouco excedente exportável por pelo menos três safras, devido à combinação entre riscos climáticos e aumento da demanda doméstica por etanol.Segundo a reportagem, a Índia havia exportado, em média, 6,8 milhões de toneladas de açúcar por ano nas cinco safras até 2022/23 — cerca de 10% dos embarques globais. Naquele momento, o país havia exportado cerca de 800 mil toneladas e suspendido novos embarques até o fim da safra.Em outubro, o cenário de oferta restrita continuava relevante para o mercado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetava déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após superávit estimado de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26. A produção mundial foi projetada em 180,1 milhões de toneladas, queda de 1%.
O QUE OS DADOS MOSTRAMEm 14 de outubro, o contrato futuro de açúcar branco com vencimento em dezembro de 2026 era negociado a US$ 559,20 por tonelada. A referência publicada em 9 de outubro era de US$ 542,50 por tonelada. Considerando a mesma referência contratual, isso representa uma alta de US$ 16,70/t, ou aproximadamente 3,08%.A curva de preços futuros também mostrava diferenças entre vencimentos:
- Dezembro de 2026: US$ 559,20/t.
- Março de 2027: US$ 571,90/t.
- Maio de 2027: US$ 576,00/t.
- Agosto de 2027: US$ 567,80/t.
CONTEXTOA Índia enfrenta duas pressões que podem reduzir o açúcar disponível para exportação. A primeira é climática: chuvas insuficientes associadas ao risco de El Niño podem prejudicar o desenvolvimento da cana. A segunda é estrutural: o país amplia o uso da cana para produzir etanol, reduzindo a parcela potencialmente destinada ao açúcar.Se a Índia exportar menos, compradores internacionais terão de buscar outros fornecedores, aumentando a importância de outros países. Porém, esses países também enfrentam riscos climáticos e mudanças na destinação da cana.O etanol de milho também ganha espaço. A DATAGRO projetou produção de 11,8 bilhões de litros em 2026/27, ante 10,3 bilhões em 2025/26. Essa é uma expectativa de produção, não um volume já realizado.
IMPACTO
- Para as usinas, preços relativos de açúcar e etanol influenciam a decisão sobre a destinação da cana.
- Para produtores de cana, o clima e o rendimento industrial podem afetar produtividade e remuneração.
- Para os consumidores, preços internacionais maiores podem influenciar custos e preços de produtos que utilizam açúcar, embora o repasse dependa do câmbio, dos contratos e da estrutura de custos.
- Para o mercado de biocombustíveis, a expansão do etanol pode criar novas oportunidades, mas também intensificar a competição por matéria-prima.
ANÁLISE DA EJSe a Índia reduzir suas exportações de açúcar, a tendência é que o Brasil, sendo o maior produtor e exportador de açúcar, e a Tailândia a 3ª maior exportadora, ampliem sua produção para aumentar a oferta e consequentemente atender os mercados importadores. Devido a alta do preço do açúcar, isso torna a oportunidade ainda mais atrativa. Para determinar o mix de produção, as usinas precisam comparar a rentabilidade esperada do açúcar e do etanol, considerando os preços de venda, o rendimento industrial, os custos e as condições de moagem.Já em relação ao aumento do etanol de milho, vemos dois cenários, a redução da dependência do Brasil em relação à cana e a necessidade de mais matérias-primas para produção do etanol de milho, visto que necessita da queima do cavaco para a produção. Isso cria um gargalo de matéria-prima, logística e custo.
O QUE ACOMPANHAR
- Atualizações do balanço global da ISO.
- Cotações dos contratos futuros de açúcar e sua relação com o câmbio.
- Dados de moagem e produção de açúcar e etanol divulgados por fontes setoriais e oficiais.
- Condições climáticas na Índia, Tailândia e Centro-Sul do Brasil.
- Evolução efetiva da produção de etanol de milho.
PARA LEVAR DAQUIO preço do açúcar depende de mais do que a safra brasileira. Clima, políticas de biocombustíveis e decisões dos grandes exportadores podem alterar a oferta global e modificar os incentivos de produção das usinas.Fontes: G1/Reuters, 23/06/2026; Organização Internacional do Açúcar (ISO), conforme reportagem de mercado; Agrolink, cotações de contratos futuros em 14/10/2026; DATAGRO.
3. CLIMA | El Niño se intensifica e aumenta o risco para a produção agrícola.
FATOEm 13 de outubro, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informou que a anomalia mensal da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a +2,08 °C em setembro de 2026. Foi a segunda maior anomalia para setembro desde 1950, atrás apenas de setembro de 1997, quando o indicador alcançou +2,15 °C.O monitoramento semanal de outubro citado pelo INMET indicava +2,4 °C. Como os períodos de referência são diferentes, a comparação deve ser interpretada com cautela.
O QUE OS DADOS MOSTRAMA diferença entre setembro de 1997 e setembro de 2026 foi de apenas 0,07 °C. Isso evidencia a intensidade do aquecimento observado em setembro de 2026, mas não significa que os efeitos sobre o clima brasileiro serão idênticos aos de 1997.A previsão do INMET para outubro indicava chuva acima da média em áreas do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em contrapartida, volumes abaixo da média eram esperados em partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
CONTEXTOO El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. O fenômeno altera padrões de circulação atmosférica e pode influenciar a distribuição das chuvas, mas seus efeitos variam por região, estação e condição local.No agronegócio, a consequência depende do momento em que a condição climática ocorre. A falta de chuva pode atrasar o plantio e comprometer o desenvolvimento inicial das culturas; o excesso pode dificultar operações, aumentar o risco de doenças e atrasar colheitas e transporte.O fenômeno não deve ser tratado como explicação única para toda seca, chuva intensa ou perda de produtividade. É necessário cruzar as previsões com as condições observadas em cada localidade.
IMPACTO POR REGIÃO
- Norte: a previsão apontava chuva abaixo da média em partes da região. Em áreas com atraso das chuvas, há maior atenção à disponibilidade hídrica e ao risco de incêndios.
- Nordeste: a tendência de precipitação abaixo da média em diversas áreas reforça a atenção à segurança hídrica e às lavouras dependentes de chuva.
- Centro-Oeste: a previsão de chuva abaixo da média em partes de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal pode dificultar a implantação das lavouras, dependendo da data de semeadura e das condições locais.
- Sudeste: a previsão indicava irregularidade. São Paulo poderia ter chuva mais expressiva em algumas áreas, enquanto Minas Gerais e Espírito Santo apresentavam tendência de precipitação abaixo da média.
- Sul: a expectativa de chuva acima da média pode favorecer a disponibilidade hídrica em algumas áreas, mas também aumentar o risco de excesso de umidade, atrasos operacionais e alagamentos.
ANÁLISE DA EJObservamos que a temperatura do Pacífico chegou a +2,08 °C acima da média em setembro de 2026, indicando um El Niño intenso,trazendo um alerta para os Produtores do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, que devem tomar cuidado com a redução ou irregularidade das chuvas e aumento do calor, que podem impactar no desenvolvimento das lavouras, menor disponibilidade de água e redução das pastagens.Já para os produtores do Sul e áreas do Sudeste ,devem se atentar com as chuvas acima da média, que geram excesso de umidade, doenças nas lavouras e dificuldades no plantio, na colheita e no manejo dos animais. Assim , o que fica é que o El Niño apresenta riscos para a produção, no entanto, não significa necessariamente que prejuízos virão. O resultado dependerá de fatores como a localização, cultura produzida, fase da safra e condições de manejo. Dessa forma, é recomendado acompanhar as notícias e atualizações para manter-se informado sobre as possíveis alterações e mudanças que esse fenômeno pode causar, analisando as características e individualidades da produção.
O QUE ACOMPANHAR
- Atualizações semanais do INMET.
- Boletins de chuva e disponibilidade hídrica.
- Condições reais de plantio e desenvolvimento das culturas.
- Orientações de gestão de risco e seguro rural.
PARA LEVAR DAQUIO clima altera o risco da produção, mas o impacto depende da região, da cultura e do calendário agrícola. Informação climática é mais útil quando se transforma em decisão operacional.Fontes: INMET, 13/10/2026; previsão climática de outubro do INMET; boletim interinstitucional sobre El Niño, com participação de órgãos federais de monitoramento.
4. MACROECONOMIA | IPCA acelera e volta a pressionar o orçamento das famílias.
FATOO IPCA registrou alta de 0,82% em setembro de 2026, depois de recuar 0,32% em agosto. O resultado acumulado no ano foi de 3,95%, enquanto a variação em 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação.O resultado mensal também superou a mediana das expectativas de mercado, de 0,76%.
O QUE OS DADOS MOSTRAMA alta não foi explicada apenas por alimentos. O grupo Habitação registrou variação de 2,31% e foi responsável pela maior contribuição positiva para o índice geral, com 0,35 ponto percentual. A energia elétrica residencial subiu 7,98%, contribuindo com 0,32 ponto percentual.Alimentação e bebidas subiu 0,83%, contribuindo com 0,18 ponto percentual. Transportes também registrou alta, com destaque para combustíveis e passagens aéreas.
CONTEXTOO IPCA mede a variação dos preços de uma cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias. Por isso, é um indicador importante para avaliar o poder de compra, mas não mede diretamente os custos de produção de uma fazenda ou indústria.No agronegócio, a evolução da rentabilidade depende também dos preços recebidos pelo produtor, dos custos de insumos, do câmbio, do frete, da mão de obra e das condições de crédito.Uma inflação maior pode pressionar o orçamento das famílias e alterar o comportamento de consumo, mas não é suficiente, isoladamente, para concluir que a demanda por carne, café ou outros alimentos cairá. Para isso, seria necessário analisar também renda real, endividamento e dados de vendas.
IMPACTO
- Consumidores: a alta de preços reduz o poder de compra quando a renda não acompanha o aumento das despesas.
- Varejo e indústria de alimentos: mudanças no orçamento familiar podem afetar o mix de produtos e a sensibilidade a preços.
- Produtores rurais: a inflação ao consumidor não implica aumento proporcional da receita do produtor. Preços agrícolas e custos de produção podem evoluir de maneira diferente.
- Crédito e investimentos: a inflação influencia as decisões de política monetária, mas um único resultado mensal não determina sozinho a trajetória dos juros.
ANÁLISE DA EJAo analisar a inflação de setembro, percebe-se que os grupos Habitação, Alimentação e bebidas e Transportes influenciaram o aumento do custo de vida. Enquanto a alta dos alimentos afeta diretamente o consumo das famílias, as despesas com energia elétrica e transporte reduzem a renda disponível para outras compras. Nesse cenário, os consumidores podem priorizar produtos essenciais e optar por alternativas mais econômicas, reduzindo potencialmente a procura por produtos de maior valor agregado, embora esse efeito precise ser confirmado por dados de consumo e vendas.Ademais, a partir de outro indicadores, como preços de venda, custos de produção e produtividade, é possível avaliar se a receita dos produtores acompanha o aumento dos custos e afetam as margens de lucro e as decisões do setor do agronegócio.
O QUE ACOMPANHAR
- Próximos resultados do IPCA e sua composição.
- Decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros.
- Indicadores de preços de alimentos e custos de produção.
- Dados de renda, emprego e consumo.
PARA LEVAR DAQUIInflação ao consumidor e custo de produção são medidas diferentes. Para entender o mercado, é preciso conectar preços, renda, custos e crédito sem atribuir todo o cenário a um único indicador.Fontes: IBGE, resultado do IPCA de setembro divulgado em 09/10/2026; Ministério da Fazenda, Informativo Econômico do IPCA de setembro, atualizado em 14/10/2026.
EDIÇÃO ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026Lula ou Flávio Bolsonaro: o que está em jogo para a economia e o agronegócio?
FATOO segundo turno presidencial está marcado para 25 de outubro de 2026 e será disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), conforme resultado divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral.Os planos de governo apresentam diferenças na forma de tratar crédito, tributação, despesas públicas, infraestrutura e participação do Estado na economia. Para o agronegócio, os temas de maior interesse incluem financiamento rural, seguro, fertilizantes, logística, comércio exterior e biocombustíveis.
O QUE AS PROPOSTAS MOSTRAMLula (PT)O plano propõe continuidade do arcabouço fiscal, fortalecimento de políticas de crédito público, ampliação de instrumentos de financiamento rural, apoio ao seguro rural, investimento em infraestrutura e estímulo à produção nacional de fertilizantes e bioinsumos.Flávio Bolsonaro (PL)O plano enfatiza redução de despesas administrativas, revisão de regras tributárias, desregulamentação, maior participação do capital privado e medidas de reorganização de dívidas rurais. Também inclui propostas para ampliar seguro rural, armazenagem, irrigação e produção nacional de fertilizantes.As propostas devem ser avaliadas pelo que efetivamente descrevem. Um compromisso de campanha não representa uma política já implementada, nem garante determinado resultado econômico.
CONTEXTO — COMO AS PROPOSTAS PODEM AFETAR O BRASIL
1. Contas públicas e juros
A trajetória das contas públicas pode influenciar expectativas sobre dívida, inflação e juros. As medidas propostas por cada candidato dependerão de sua viabilidade política, das fontes de financiamento e da execução. Não é possível concluir, apenas pelos programas, qual será a trajetória futura dos juros.2. Crédito ruralA ampliação de recursos públicos e programas de financiamento pode aumentar a disponibilidade de crédito, se houver orçamento, condições de acesso e demanda. A reorganização de dívidas pode aliviar a situação de produtores elegíveis, dependendo das regras, dos prazos e das garantias.3. TributaçãoMudanças tributárias podem alterar custos, preços relativos e decisões de investimento. O efeito dependerá da legislação aprovada, do período de transição e das regras de compensação e crédito tributário.4. Infraestrutura e comércio exteriorInvestimentos em portos, ferrovias, rodovias e armazenagem podem reduzir gargalos logísticos se forem financiados e executados. A abertura de mercados depende de negociações, requisitos sanitários, competitividade e demanda externa.
IMPACTO PARA O AGRONEGÓCIO
- Crédito e endividamento: as propostas diferem na ênfase entre ampliação de programas públicos e reorganização de dívidas e fontes de financiamento.
- Custos de produção: mudanças tributárias, de infraestrutura e de oferta doméstica de fertilizantes podem afetar os custos, mas o impacto precisa ser calculado.
- Exportações: acordos comerciais, logística e condições de acesso aos mercados influenciam a competitividade brasileira.
- Investimento: anúncios precisam ser acompanhados de orçamento, contratos, licenciamento e execução para produzir efeitos concretos.
O QUE ACOMPANHAR
- Planos de governo oficiais e esclarecimentos dos candidatos.
- Composição do Congresso e viabilidade de aprovação das medidas.
- Orçamento, fontes de financiamento, prazos e critérios de acesso aos programas.
- Diferença entre anúncio, aprovação legal, recursos disponibilizados e execução.
- Indicadores oficiais de inflação, juros, contas públicas, crédito rural, investimentos e comércio exterior.
PARA LEVAR DAQUIA eleição coloca em disputa diferentes prioridades econômicas. Para o agronegócio, os efeitos dependerão de como as propostas se transformarão em regras, orçamento, crédito acessível e investimentos efetivamente realizados.Fontes: Tribunal Superior Eleitoral, planos de governo do segundo turno; cobertura econômica de propostas tributárias e de trabalho publicada em outubro de 2026.
ENCERRAMENTOO mercado agropecuário é influenciado por fatores que se conectam: preços internacionais, clima, energia, inflação, crédito e decisões políticas. A leitura dos indicadores ajuda a identificar tendências, mas decisões melhores exigem observar custos, margens, prazos e riscos.JORNAL HJ — O agro em movimento. A análise além da notícia.